Nessa sexta-feira, acontecerá na Escola Joasé Mamede de Aquino o lançamento do livro Primeira Antologia Poética, parte integrante do Projeto Jovens Autores - insentivo à leitura e a escrita de aluno e professores. Na ocasião, os alunos cujos poemas foram selecionados durante o ano letivo de 2010, poderão declamar seus poemas e autografar os livros, que serão distribuidos gratuitamente a toda a comunidade escolar.
Nessa post, apresentamos a vocês a versão .pdf do nosso livro. Divulguem =D
Hoje posto para vocês o poema que serviu de inspiração para uma das produções poéticas já postadas aqui no nosso cantinho virtual. O poema "Identidade" de Pedro Bandeira.
Abraços e até a proxima ;)
Identidade
Às vezes nem eu mesmo
Sei quem sou.
Às vezes sou
“o meu queridinho”.
Às vezes sou malcriado.
Para mim
Tem vezes que eu sou rei,
Herói voador,
Caubói lutador,
Jogador campeão.
Às vezes sou pulga,
Sou mosca também,
Que voa e se esconde
De medo e vergonha.
Às vezes eu sou o Hércules,
Sansão vencedor
Peito de aço
Goleador.
Mas que importa
O que pensam de mim?
Eu sou eu,
Sou assim,
Sou menino.
Pedro Bandeira
Clique e confira as releituras de nossos alunos. Identidade
"Na língua, tudo são diferenças" Como já disse o linguista genebrino Ferdinand Saussurre, considerado o Pai da Linguística, se observarmos a língua em uso, constataremos inúmeras variações, de acordo com cada lugar. Isso acontece porque a língua, enquanto ferramenta de comunicação social, adapta-se à comunidade onde está inserida, adquirindo características peculiares à cada região brasileira. Pensando nas diversidades culturais, sociais, religiosas e, por consequência, linguísticas, a professora Ivone Chiquetti trabalha a variação de uma forma bastante divertida entre os alunos dos sétimos anos. Assista ao vídeo e deguste um pouquinho desta aula...
Conteúdos curriculares: Leitura, expressão oral (declamação de texto poético)
Objetivos: Identificar os dados necessários para compor o gênero biografia.. Reconhecer a importância do poeta Casimiro de Abreu- o poeta da saudade- na poesia . Ler, encenar e declamar um poema Casimiro de Abreu.
Público a ser envolvido: # alunos do 7º ano; # professora de Língua Portuguesa; # professora da sala de tecnologia (informática).
Mídias a serem utilizadas: Enciclopédia, máquina fotográfica e internet.
Atores e papéis que deverão desempenhar: # Professora de Língua Portuguesa (incentivadora e orientadora da pesquisa e apresentação) ; # alunos (pesquisadores e realizadores dos trabalhos de produção e apresentação) # professora de informática (divulgadora das atividades no blog da escola).
Dinâmica da atividade: # 1ª _ Recapitular as características do gênero autobiográfico trabalhado no 1º semestre. # 2 ª etapa – Pesquisar na Enciclopédia Barsa e outros materiais impressos a biografia de Casimiro de Abreu e apresentar em forma de trabalho escrito. # 3ª etapa – Sortear uma aluno para ler a biografia em sala. # 4 ª etapa – Coletivamente, solicitar aos alunos que identifiquem as características do gênero biográfico. # 5ª etapa _ Escolher um aluno ou aluna para declamar o poema “ Meus Oito Anos .” # 6ª _ Filmar, editar e divulgar o vídeo no blog da escola.
Período de realização 03/ 11 a 05 /11- 06 aulas.
Critérios de avaliação da atividade: A avaliação dar-se-á durante todo o processo do desenvolvimento do trabalho, observando o interesse individual de cada aluno. As questões que serão avaliadas são: a parte escrita (apresentação da pesquisa), o reconhecimento das características do gênero em questão e a expressividade da oralidade na declamação do poema..
Referências do material pesquisado # Enciclopédia Barsa, volume 1, página 19 # www.paralerepensar.com.br/cassimiro.htm
MEUS OITO ANOS CASIMIRO DE ABREU
Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras, À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias Do despontar da existência! - Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é - lago sereno, O céu - um manto azulado, O mundo - um sonho dourado, A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar! O céu bordado d'estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, Da camisa aberta o peito, - Pés descalços, braços nus - Correndo pelas campinas À roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos Ia colher as pitangas, Trepava a tirar as mangas, Brincava à beira do mar; Rezava às Ave-Marias, Achava o céu sempre lindo, Adormecia sorrindo E despertava a cantar!
Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras, À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais!
Hoje temos várias atualizações para postar no nosso blog. Vou começar pelas mais antigas, do dia 15 de outubro, dia dos professores. Nesta data, o aluno Luís Felipe, do 7º ano B, sob a orientação da professora Ivone Chiquetti (Língua Portuguesa), recitou um poema para homenagear todos os professores da Escola José Mamede. Ele estava nervoso, mas a apresentação ficou uma gracinha ;)
O objetivo dessa aula é fazer com que o aluno perceba que os textos dialogam entre si. Após leitura e interpretação dos três excertos, cada aluno produziu seu próprio “Poema de sete faces”, criando seu anjo e sua “profecia” ao nascimento do eu-lírico.
Vamos aos excertos:
Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. [...]
Carlos Drummond
Até o Fim
Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim [...]
Chico Buarque
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. [...]
Quando eu nasci, um anjo inteligente Desses que vivem alegras, anunciou: Hoje nasceu Rosely Que será muito feliz, E terá uma família maravilhosa, E ajudará muitas pessoas.
Rosely Miranda
Quando nasci um anjo veio e me disse: Você vai ser um trabalhador Passará dificuldades, mas Vai ser feliz Vai ter uma família Que mais te amar muito Vai ter saúde e muitos amigos.
Ivair
Um anjo me disse
Quando nasci, um anjo chegou a mim e disse: Olha. Vai! Estou abrindo a porta do paraíso, Siga em frente e viva a vida da forma certa, Não fazendo mal a ninguém, Mas sim o bem Para quem necessita E traga muito orgulho para seus familiares.
Heitor de Deus
Quando nasci, um anjo do Senhor Jesus me disse que eu teria lutas na minha caminhada, mas que eu venceria todos, e teria uma vitória a cada dia.
Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, o uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.